MILLE MODAS

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Carreta cai no Rio Acara em Tomé-Açu


Os momentos que antecederam o acidente que vitimou cinco pessoas de uma mesma família sexta-feira dia 26 no município de Tomé-Açu, no nordeste Paraense, foram revelados, ontem, pelo único sobrevivente da tragédia, o adolescente Lucas Medina, de 17 anos.
O instante imediatamente anterior ao acidente remete Lucas à sobrinha Raquel Medina, de 13 anos, que morreu quando a carreta em que a família estava despencou da ponte sobre o rio Acará-Mirim. O som do veículo tocava uma canção que ela gostava, "Pra você", da cantora sertaneja Paula Fernandes. O motorista da carreta José Edvan de Brito, de 40 anos, pediu para trocar a música e, em um breve instante de distração, perdeu o controle do veículo, caindo de uma altura de mais de dez metros. A jovem, segundo o sobrevivente, morreu abraçada ao bebê, tentando protegê-lo.
Ontem foram encontrados os corpos das outras duas vítimas do acidente. O corpo de Raquel, que comemoraria com a família no domingo o aniversário transcorrido na quinta-feira passada, veio à superfície por volta das 6 horas da manhã. Mais cedo, em torno de 1horas e 20 minutos, o corpo de José Sidney, que faria cinco anos de idade, foi localizado. Ele era irmão de Raquel. Os outros três corpos foram retirados do rio no sábado.
Na manhã de domingo, houve o sepultamento dos corpos dos irmãos José Eugênio, de 1 ano e 7 meses, filho de José Edvan, e Lucas Rafael, de cinco anos, enteado do motorista.
O enterro ocorreu no cemitério de Quatro Bocas, distrito de Tomé-Açu, distante 12 quilômetros do município.
O corpo de José Edvan de Brito, que era conhecido pelo apelido "Índio", foi levado para Patos de Minas, a cidade natal do carreteiro, em Minas Gerais.
Ele conduzia a carreta que, por volta das 20horas e 30 minutoa de sexta-feira, caiu da ponte sobre o rio Acará-Mirim, na entrada de Tomé-Açu. Ao todo, cinco pessoas viajavam na boleia do "cavalinho" (a parte da frente do veículo).
Lucas Medina, o sobrevivente, era tio das crianças que morreram. Chorando muito, ele compareceu ao enterro de José Eugênio e de Lucas Rafael. O adolescente contou que, como sempre fazia quando chegava de viagem, Edvan saiu com as crianças para dar uma volta. Ele costumava levá-los para lanchar ou para comer uma pizza. Lucas contou que o motorista perguntou se poderia trocar a música que tocava no CD Player, para, provavelmente, colocar uma de sua preferência. "Ele desviou o olhar para o som", lembrou. Em seguida, o condutor perdeu o controle do veículo. "Vai bater (na proteção da ponte)", gritou Lucas. "Meu Deus", disse, desesperada, Raquel. O adolescente acredita que, nessa hora, o motorista, em vez de pisar no freio, pisou no acelerador.
Lucas também relatou os momentos de agonia quando o veículo chegou ao fundo do rio. Os bombeiros estimavam que a cabine da carreta estava a oito metros de profundidade.
Na luta para sair do veículo, Lucas bateu a cabeça e machucou os braços. Ele conseguiu sair pelo pára-brisas, que quebrou com o impacto da carreta na água. "Eu estava para desistir", lembrou. O adolescente disse que, no fundo do rio, ninguém "tocou nele". Ou seja, não percebeu qualquer sinal de que os demais ainda pudessem estar com vida. Ele revelou que Raquel estava com o bebê no colo: "Ela não largou o bebê", disse, para demonstrar que a adolescente tentou proteger a criança


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